
Por Tania V. Penna Oliani
Enquanto a globalização, o BREXIT e a política mundial, entre outros assuntos importantes, eram discutidos, veio à baila um inimigo invisível, o COVID-19, que seria o estopim para que o mundo inteiro mudasse e parasse. Torre Eiffel e arredores vazios. As belezas da Itália, como a Fontana de Trevi, vazia! O Vaticano, com sua Praça de São Pedro, tão cheia de fiéis há muito tempo, vazia! Poderíamos citar inúmeros pontos turísticos espalhados pelo mundo, os resorts, os restaurantes, as ruas, o comércio. Tudo vazio. O que está cheio são os hospitais! Hoje, qualquer dor não nos leva a eles! Temos medo de ir onde pode haver COVID-19! Cada habitante da Terra precisou isolar-se socialmente para não se contaminar, nem contaminar as outras pessoas. Os idosos, população mais vulnerável, além daquelas pessoas mais frágeis fisicamente, precisaram ser vistos, já que pareciam pessoas invisíveis à sociedade. Essa população tem sido a maior vítima do vírus nos países mais infestados. Fico perplexa quando anunciam que X pessoas morreram em tal país ou no próprio Brasil, mas que tantos por cento tinham mais de 70 anos! É como se se dissesse que idosos vão morrer mesmo, então, fica subentendido que a ordem universal da linha da vida esteja sendo cumprida!
É preciso que as pessoas olhem para o que estavam fazendo com os seus pais idosos, os adoecidos cronicamente, os excepcionais!
Cada um, agora, precisa se adaptar às novas regras de higiene … mental e emocional …. Cada um está ou sozinho ou com sua família em casa, alguns trabalhando on-line, outros desempregados, outros sem trabalho porque dependem de clientes, outros que não teem de onde tirar seu sustento porque eram trabalhadores autônomos, profissionais liberais, informais ou do sub emprego. Todos, com exceção aos que teem que trabalhar, tais como os profissionais da saúde ou do ramo dos alimentos e transportes, estão confinados em seus lares, dos mais abastados, aos mais carentes da sociedade.
Em casa, as pessoas precisam se reinventar. Precisam encontrar a si mesmas e se adaptar a esta nova realidade. Encontrar a si mesmo, para algumas pessoas, não é uma tarefa fácil, nem aprazível. Este é um exercício que exige muita reflexão! Às vezes, o que algumas pessoas encontram não é um “eu” que lhes agrade. Outras pessoas estavam tão ocupadas com suas tarefas diárias que não paravam para refletir. Mães e pais precisaram retomar a educação formal de seus filhos, bem como precisaram esclarecê-los sobre o fechamento das escolas, o isolamento e as novas necessidades na higiene. Filhos, filhas e cuidadores precisaram adaptar as vidas dos seus idosos à nova realidade. Enfim, não seria possível enumerar e citar todas as novas situações individuais.
Mas, apesar desse quadro tenebroso tão explorado nos filmes de catástrofes, tenho visto que o ser humano está começando a entender que sem solidariedade, não será possível evoluir. A solidariedade surge de uma necessidade individual de dar o melhor de si ou de seu trabalho aos outros. Fazendo algo que seja de bem comum, de si para o outro, sem pensar em bens materiais, é o emergir de um “eu” melhor, cada um à sua forma, do seu jeito, das palavras à ação.
Acredito que o aprendizado que o COVID-19 vai nos deixar é inestimável. Cada ser está se reinventando dia a dia para viver o dia seguinte, e também os outros, em confinamento. Este otimismo parece imaturo. Mas não é! Precisamos acreditar que os seres humanos, que se diferenciam dos outros animais pelas suas capacidades de adaptação e empatia, além de seus dotes intelectuais, será capaz de aprender que a criatividade e a solidariedade imensas de que são capazes, serão a alavanca para um mundo melhor.
Ainda temos muito tempo vindouro de confinamento. Novas provas virão, assim como novos desafios. Mas se todos acreditarem que lições são aprendidas quando colocadas em prática, teremos cumprida mais uma etapa da evolução humana.
São Paulo, 4 de abril de 2020.