SOBRE

“Os joelhos da mãe são os primeiros bancos escolares”Achiles Archero Jr. (*1)

Decidi ser psicóloga aos 12 anos de idade. Parece mentira, mas é verdade! Aqueles conflitos e dúvidas que os adolescentes enfrentam para escolherem uma profissão não aconteceram comigo. Eu estava convicta da profissão que queria seguir. Como uma pessoa tão jovem poderia estar tão convicta sobre um assunto que para outros é tão difícil? Então, como foi que isso aconteceu? Eu explico. Minha mãe colecionava fascículos da coleção Medicina e Saúde, cujo conteúdo está óbvio no nome. Eu esperava avidamente que semanalmente ela comprasse o fascículo que já estava reservado na banca de jornais. O fato é que o último assunto de cada fascículo era dedicado à Psicologia e à Psiquiatria. Eu lia a revista inteira, mas primeiro lia os capítulos de Psicologia e Psiquiatria. Esses assuntos me encantavam e eu me deliciava com o que para mim, naquela idade, eram verdadeiros mistérios: o comportamento humano, os sentimentos, os mecanismos de defesa, a sexualidade, o desenvolvimento humano, os distúrbios, o aprendizado….. enfim, eu me interessava por tudo. Não havia livro ou revista que eu lesse sobre esses temas que passassem incólumes. Cada vez eu queria mais! Lia todos (ah, que pena que ainda não havia o Google!!!!!). Li muito conteúdo, ia às bibliotecas para fazer as pesquisas acadêmicas e aproveitava para ler sobre Freud e a Psicanálise, mas creio que minha compreensão à época não poderia comportar a importância de tais assuntos! Logo resolvi: fazendo universidade de Psicologia, poderia conhecer melhor os assuntos que tanto me interessavam! E assim segui em frente e logo aos 17 anos ingressei no tão desejado curso de Psicologia! Por incrível que pareça, nos 5 anos de curso, boa parte das minhas expectativas até então foram sanadas. Pelo menos era o que eu pensava. Ao concluir o curso, formulei novos questionamentos, pensei em várias hipóteses para determinados assuntos, comecei a trabalhar na área e disse a mim mesma aquele famoso paradoxo socrático: “Só sei que nada sei”! Entendi que a formatura em Psicologia era só o começo. Quem quer ser um bom Psicólogo não pode parar de estudar jamais! Tendo aquele paradoxo na cabeça, segui meu caminho e não parei de estudar até hoje em dia: especializações, aperfeiçoamentos, cursos diversos, simpósios, congressos, livros, grupos de estudos, estudos científicos e tudo o que possa ser útil aos trabalhos como psicóloga e neuropsicóloga que desenvolvo. Estou convicta de que não pararei jamais, pelo menos enquanto estiver em pleno vigor de minhas faculdades mentais. Na Psicologia e na Neuropsicologia ainda há muito a ser estudado. São áreas maravilhosas! Tenho ainda no fundo do meu âmago aquela adolescente de 12 anos que tem sede de conhecimento….. e assim vou seguindo meu caminho….